Sempre tem aquele dia que a gente escolhe pra falar mal de tudo. Um dia de pessimismo. E esse tipo de coisa é melhor não guardar, principalmente quando já se está numa cólera de angústia e de uns sentimentos que esqueceram de nomear. Não sei mais se eu tinha alguma coisa específica para metralhar. no meu estado qualquer coisa que eu olhar estará deformada. O mais engraçado é que não é uma fase auto-destrutiva como eu acho que essas coisas costumam ser. Também não sei se já me senti assim antes pra fazer algum tipo de comparação. Não. Nunca tive uma fase auto-destrutiva. Pessoa digna que eu sou, não? To observando e apontando a desgraça alheia e me colocando no lustre! Hahahahaha... me queimem pelo amor que vocês ainda acham que possuem, porque acho que estou prestes a te devorar também.
Não é que eu não queira ver a beleza das coisas. Sim, é. Porque se eu quisesse mesmo ver as coisas boas, eu as veria. Pelo menos isso é o que eu digo às pessoas que estão dispostas a me ouvir. Porque é verdade. É a minha verdade. Eu quero enxergar as cores, mas não existem cores. Aí é como se eu tivesse que refazer essas coisas, recriar. Cores.
Bem, as metáforas nesse caso parecem funcionar como um eufemismo. Ser direto faria disso tudo uma grande crueldade. E a grande crueldade da situação que estou vivendo. Metáforas e eufemismos são só filtros, um caminho indireto por onde as palavras são conduzidas. Mas tocam o mesmo ponto, chegam ao mesmo destino, de maneira igual, no fim das contas.
São vômitos. Não devem ser levados a sério. E nem pretensiosos, ou pelo menos não deveriam ser. Mas sempre tem de haver um jeito de se colocar as coisas pra fora pra não acabar num câncer.
As coisas continuam sem cor. Silenciadas. Abafadas. Indizíveis. Vazias. O vazio é devorador. É. Já me sinto oca. Leve. Invisível também. Viu? Não. Não há o que se ver.
-Dá descarga, por favor.
