terça-feira, 30 de setembro de 2008
Conversa de um só (pra não chamar de monólogo).
há tempos tenho conquistado pessoas, elogios, reconhecimento. tenho me disponibilizado a ser uma boa pessoa, não para me tornar uma nova versão da Calcutá. só como uma maneira de manter minha consciência leve e tranquila . dedicação e conquista num ritmo calmo com falhas pequenas. agora, eu observo tudo novamente, lembro dos passos bem dados, dos erros concertados, de tudo o que me fez feliz e do que ainda me resta disso. as falhas pequenas, eram falhas pequenas, caíram no esquecimento. as perdas foram "poucas".
pronto. agora chegou no ponto da história que tudo se resume a dúvidas sobre a razão de tudo, silêncio, espera e um sentimento estranho que às vezes parece arrependimento, às vezes é saudade. me silencio por não saber mais o que contar e espero coisas novas.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
sem título II
Sempre tem aquele dia que a gente escolhe pra falar mal de tudo. Um dia de pessimismo. E esse tipo de coisa é melhor não guardar, principalmente quando já se está numa cólera de angústia e de uns sentimentos que esqueceram de nomear. Não sei mais se eu tinha alguma coisa específica para metralhar. no meu estado qualquer coisa que eu olhar estará deformada. O mais engraçado é que não é uma fase auto-destrutiva como eu acho que essas coisas costumam ser. Também não sei se já me senti assim antes pra fazer algum tipo de comparação. Não. Nunca tive uma fase auto-destrutiva. Pessoa digna que eu sou, não? To observando e apontando a desgraça alheia e me colocando no lustre! Hahahahaha... me queimem pelo amor que vocês ainda acham que possuem, porque acho que estou prestes a te devorar também.
Não é que eu não queira ver a beleza das coisas. Sim, é. Porque se eu quisesse mesmo ver as coisas boas, eu as veria. Pelo menos isso é o que eu digo às pessoas que estão dispostas a me ouvir. Porque é verdade. É a minha verdade. Eu quero enxergar as cores, mas não existem cores. Aí é como se eu tivesse que refazer essas coisas, recriar. Cores.
Bem, as metáforas nesse caso parecem funcionar como um eufemismo. Ser direto faria disso tudo uma grande crueldade. E a grande crueldade da situação que estou vivendo. Metáforas e eufemismos são só filtros, um caminho indireto por onde as palavras são conduzidas. Mas tocam o mesmo ponto, chegam ao mesmo destino, de maneira igual, no fim das contas.
São vômitos. Não devem ser levados a sério. E nem pretensiosos, ou pelo menos não deveriam ser. Mas sempre tem de haver um jeito de se colocar as coisas pra fora pra não acabar num câncer.
As coisas continuam sem cor. Silenciadas. Abafadas. Indizíveis. Vazias. O vazio é devorador. É. Já me sinto oca. Leve. Invisível também. Viu? Não. Não há o que se ver.
-Dá descarga, por favor.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Um corte no meio do fio
mas ela esqueceu de me falar do amor
ela não me disse que com o amor não se brinca
eu ri na cara do amor
...podem me apedrejar.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sem título
por isso, eu deixo que o arrependimento seja meu consolo. será que um dia isso deixa de doer? Nem que seja pra dar espaço a outra dor menor, menos tola.
Ah, coração choroso!
eu sei que quem chora é a minha consciência, onde toda a culpa virou um líquido salgado que cai de meus olhos, corroe o encanto da face e torna-se amargo em minha boca, de onde saem palavras azedas e que se cala, por causa de um fio de doçura que ainda resta em seu ego por saber da existencia desse alguém que a cura. Se cala pra não destruir a pureza do sentimento alheio.
Só cá sabe. Mas eu adianto à folha negra: amor calado machuca e nos faz desacreditar no divino. fica tudo em escala de cinza. fica na cor, no sabor e na forma da dor, essa coisa.
Poema para a bela Cilla
Me diga
quem foi que disse
essa tolice,
me diga
quem cometeu
essa sandice,
diga quem disse
essa doidice,
se foi Aline ou Fagner,
se foi Bah ou Kauam
quem disse.
foi Danttas, foi Josenildo,
me diga quando,
e aonde,
se foi Véio Jacobina,
ou Nina Del Mar
quem proferiu
tal maluquice.
me diga
como quem crê
em crendice,
quem foi que disse,
ou ainda insiste
em dizer que você
existe.
por Aion Perrone
domingo, 22 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Phantasia ab aliquo
no centro, uma luz bem forte sobre um homem...
em você eu vejo graça
consegue fortalecer uma parte de mim.
sei que não percebe a atmosfera dO Mundo
porque você está no seu mundo
onde as coisas contecem de maneira simples
e não exige explicações óbvias
me leve com você?
você também não consegue me ouvir
quero tocar em você, apertar, cheirar, trocar energias
me conte da valsa e faça de mim poesia
de novo
de novo
O inimigo
ele vai me deixar louca
ele me fala de coisas que eu não entendo
e ele não quer que eu entenda
mas eu tbm não quero entender
aí ele vai pro norte, eu vou pro sul
a gente nunca se encontra
mas a gente tá alí...falando sobre a mesma coisa
eu o odeio
eu preciso dele
ele vai me deixar louca
sábado, 14 de junho de 2008
Eterna lembrança de alguma coisa sem brilho.
Allura sofria de câncer e, mesmo doente, tinha no rosto o encantamento de um bebê que faz sua primeira bola de chiclete. Madhava suportava cada segundo de dor com esperança de que aquela fosse a última cirurgia, o último furo, a última parada; cada dia lhe parecia uma eternidade. Havia dias em que Allura não abria o olho de tamanha que era a sua languidez e Madhava cantava pra ela uma canção que gostava...
(...)se uma lágrima cair do meu olhar, não leve a mal
é o meu coração querendo te encontrar.
ela sorria, vacilante, e abria os olhinhos quebrados.
Naquele dia, a menininha tinha recebido muitas visitas e curtido de todas as estripulias que uma criança gosta, ainda que tão debilitada, e dormiu por algumas horas.
Acordou, já era madrugada do dia 21, lembrara que era aniversário da pessoa que mais demonstrou dedicação a ela naqueles 3 sofridos anos e pediu para que a avó, que a observava, a deixasse sozinha até que ela chamasse novamente. Madhava obedeceu, e saiu distribuindo carinhos; qualquer momento, poderia ser o último. Allura pegou o telefone e ligou pra uma das suas tias e pediu pra que ela trouxesse, logo pela manha, um bolo bem grande e quadrado, todo de chocolate, tinha que ser bem bonito e sem esquecer do refrigerante!
Ah, Allura! Tão doce que era...
Madhava retornou ao quarto, junto com uma de sua filhas, e a bonequinha voltou a dormir enquanto elas revesavam o sofá.
Às oito da manhã, Allura acordou se queixando de pouco oxigênio. A tia se levantou e chamou alguma enfermeira pra trocar. A avó acordou nesse minuto. A enfermeira entrou, e a garotinha já tinha um olhar distante...sorria para o nada.
Madhava, que já sentia a garganta apertada, acariciou a mocinha na maca e saiu, explodindo em soluços! Sentiu o chão descer, e uma amargura infinda!
- ela partiu sorrindo! - Alguém lhe soprou ao lado
Ela sabia que era muito sofrimento pra uma alma tão pura, mas não era justo! Era um bebê que pagava pelo pecado de quem, meu Deus? Teria sido o bolo de aniversário o caixão de Allura? Ter que digerir a idéia de que alguém se ía? Àquela seria a lembrança lhe cortaria o peito a cada aniversário e tudo lhe pareceu sem vida...sem cor, sem brilho. Era preto e branco.
Tamanha revolta lhe invadiu por algumas horas...mas precisava acreditar que era o descanso de Allura. Era o descanso de Allura!
E que todos os anjos digam amém.
PS: hoje, Allura completaria 10 anos.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Chagas pós-genialidade: só.
grito ao mundo: eu quero fazer revolução!
quero fazer revolução no meu quarto
pintar as paredes de verde
desmontar cama e guarda-roupas
uma melhor organização para os livros
um canto mais bonito para expor minha foto
quero fazer revolução no meu quarto
para melhor sobrevivência desse homem só
revolução de um homem só
e se afoga na solidão, na amargura
faz coleção de cenas angustiantes
relembra cada momento que ficou num pretérito imperfeito
e tem uma overdose de nostalgia patética
esse homem só
elabora planos enquanto o mundo gira
ele não vive
é mais fácil pensar nele só
morrerão ele e todo o egoísmo, só
