segunda-feira, 30 de junho de 2008

Um corte no meio do fio

mamá me ensinou sobre muitas coisas
mas ela esqueceu de me falar do amor
ela não me disse que com o amor não se brinca

eu ri na cara do amor

...podem me apedrejar.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

sem título

alguém disse que desculpar-se é melhor que arrepender-se, mas desde que a desculpa existe as pessoas não se limitam em errar. E deixar que os erros atinjam pessoas que já estão cansadas de sofrer por causa disso...ás vezes as desculpas já não são suficientes a ela.
por isso, eu deixo que o arrependimento seja meu consolo. será que um dia isso deixa de doer? Nem que seja pra dar espaço a outra dor menor, menos tola.
Ah, coração choroso!
eu sei que quem chora é a minha consciência, onde toda a culpa virou um líquido salgado que cai de meus olhos, corroe o encanto da face e torna-se amargo em minha boca, de onde saem palavras azedas e que se cala, por causa de um fio de doçura que ainda resta em seu ego por saber da existencia desse alguém que a cura. Se cala pra não destruir a pureza do sentimento alheio.
Só cá sabe. Mas eu adianto à folha negra: amor calado machuca e nos faz desacreditar no divino. fica tudo em escala de cinza. fica na cor, no sabor e na forma da dor, essa coisa.

Poema para a bela Cilla


.

Me diga
quem foi que disse
essa tolice,
me diga
quem cometeu
essa sandice,
diga quem disse
essa doidice,
se foi Aline ou Fagner,
se foi Bah ou Kauam
quem disse.
foi Danttas, foi Josenildo,
me diga quando,
e aonde,
se foi Véio Jacobina,
ou Nina Del Mar
quem proferiu
tal maluquice.
me diga
como quem crê
em crendice,
quem foi que disse,
ou ainda insiste
em dizer que você
existe.





por Aion Perrone

domingo, 22 de junho de 2008

dias de decadência
de dizimar idéias
de fazer do grande pequeno
do tudo nada

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Phantasia ab aliquo

eu vejo um lugar escuro e alto
no centro, uma luz bem forte sobre um homem...

em você eu vejo graça
consegue fortalecer uma parte de mim.
sei que não percebe a atmosfera dO Mundo
porque você está no seu mundo
onde as coisas contecem de maneira simples
e não exige explicações óbvias

me leve com você?

você também não consegue me ouvir
quero tocar em você, apertar, cheirar, trocar energias
me conte da valsa e faça de mim poesia
de novo
de novo

O inimigo


ele vai me deixar louca

ele me fala de coisas que eu não entendo
e ele não quer que eu entenda
mas eu tbm não quero entender
aí ele vai pro norte, eu vou pro sul
a gente nunca se encontra
mas a gente tá alí...falando sobre a mesma coisa
eu o odeio
eu preciso dele
ele vai me deixar louca


sábado, 14 de junho de 2008

Eterna lembrança de alguma coisa sem brilho.

Era quase meia-noite, no dia 20 de janeiro. Num quarto de hospital estavam uma criança, Allura e a sua avó, Madhava, que em alguns minutos completaria 56 anos de vida.
Allura sofria de câncer e, mesmo doente, tinha no rosto o encantamento de um bebê que faz sua primeira bola de chiclete. Madhava suportava cada segundo de dor com esperança de que aquela fosse a última cirurgia, o último furo, a última parada; cada dia lhe parecia uma eternidade. Havia dias em que Allura não abria o olho de tamanha que era a sua languidez e Madhava cantava pra ela uma canção que gostava...
(...)se uma lágrima cair do meu olhar, não leve a mal
é o meu coração querendo te encontrar.

ela sorria, vacilante, e abria os olhinhos quebrados.

Naquele dia, a menininha tinha recebido muitas visitas e curtido de todas as estripulias que uma criança gosta, ainda que tão debilitada, e dormiu por algumas horas.
Acordou, já era madrugada do dia 21, lembrara que era aniversário da pessoa que mais demonstrou dedicação a ela naqueles 3 sofridos anos e pediu para que a avó, que a observava, a deixasse sozinha até que ela chamasse novamente. Madhava obedeceu, e saiu distribuindo carinhos; qualquer momento, poderia ser o último. Allura pegou o telefone e ligou pra uma das suas tias e pediu pra que ela trouxesse, logo pela manha, um bolo bem grande e quadrado, todo de chocolate, tinha que ser bem bonito e sem esquecer do refrigerante!
Ah, Allura! Tão doce que era...
Madhava retornou ao quarto, junto com uma de sua filhas, e a bonequinha voltou a dormir enquanto elas revesavam o sofá.
Às oito da manhã, Allura acordou se queixando de pouco oxigênio. A tia se levantou e chamou alguma enfermeira pra trocar. A avó acordou nesse minuto. A enfermeira entrou, e a garotinha já tinha um olhar distante...sorria para o nada.
Madhava, que já sentia a garganta apertada, acariciou a mocinha na maca e saiu, explodindo em soluços! Sentiu o chão descer, e uma amargura infinda!
- ela partiu sorrindo! - Alguém lhe soprou ao lado
Ela sabia que era muito sofrimento pra uma alma tão pura, mas não era justo! Era um bebê que pagava pelo pecado de quem, meu Deus? Teria sido o bolo de aniversário o caixão de Allura? Ter que digerir a idéia de que alguém se ía? Àquela seria a lembrança lhe cortaria o peito a cada aniversário e tudo lhe pareceu sem vida...sem cor, sem brilho. Era preto e branco.
Tamanha revolta lhe invadiu por algumas horas...mas precisava acreditar que era o descanso de Allura. Era o descanso de Allura!

E que todos os anjos digam amém.

PS: hoje, Allura completaria 10 anos.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Chagas pós-genialidade: só.


não vejo vida através da minha janela
não há espaço para mim aqui na cela
grito ao mundo: eu quero fazer revolução!
quero fazer revolução no meu quarto

pintar as paredes de verde
desmontar cama e guarda-roupas
uma melhor organização para os livros
um canto mais bonito para expor minha foto

quero fazer revolução no meu quarto
para melhor sobrevivência desse homem só
revolução de um homem só

e se afoga na solidão, na amargura
faz coleção de cenas angustiantes
relembra cada momento que ficou num pretérito imperfeito
e tem uma overdose de nostalgia patética
esse homem só

elabora planos enquanto o mundo gira
ele não vive
é mais fácil pensar nele só
morrerão ele e todo o egoísmo, só